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Doutrina Espírita

Segundo Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita ou Espiritismo, em seu livro “O que é o Espiritismo”, em 1859, assim o define:

“O Espiritismo é ao mesmo tempo uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática, ele consiste nas relações que se podem estabelecer com os espíritos; como filosofia, ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações. O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e da destinação dos espíritos e de sua relação com o mundo corporal”.

As bases da doutrina espírita precisam estar em justa posição com suas finalidades. Pelo exame rígido dessas finalidades e conclusões esclarecidas das mesmas, que se chega à convicção das verdades que revestem a doutrina espírita.

Assim considerando, pode-se acrescentar que espírita é aquela pessoa que busca levar sua vida de forma cristã e que acredita nos seguintes preceitos básicos:

  • A EXISTÊNCIA DE DEUS: Um Deus único e perfeito.
  • A IMORTALIDADE DO ESPÍRITO: o espírito é imortal e indestrutível. Existia antes de nossa vida presente e sobreviverá à morte do nosso corpo físico.
  • A EVOLUÇÃO DOS ESPÍRITOS: todos os espíritos são criados simples e ignorantes e estão predestinados à perfeição. O espírito jamais regride, sempre evolui. Todos os espíritos atingirão a perfeição por seu próprio mérito, no exercício do aprimoramento moral e da implantação de sua capacidade intelectual.
  • A REENCARNAÇÃO: o espírito imortal retorna ao mundo físico quantas vezes forem necessárias para que experimentando diversas situações, possa ganhar sabedoria.
  • A COMUNICAÇÃO ENTRE MORTOS E VIVOS: o que diferencia os vivos dos supostos mortos é apenas a existência do corpo material. Assim, o Espiritismo compreende como natural o intercâmbio entre os mundos físico e espiritual.
  • CRISTO COMO MODELO: os espíritas têm Jesus Cristo como modelo de espírito muitíssimo evoluído. Consideram que o estudo e a prática dos ensinamentos de Jesus são de grande valia para nossa própria evolução espiritual.
  • A REFORMA ÍNTIMA: por compreender sua imperfeição moral, os espíritas tomam para si a responsabilidade de aprimorar-se. Chamam esse processo de reforma íntima.
  • O LIVRE-ARBÍTRIO: o espírito é senhor de seu destino. Tem autonomia para fazer o que bem entende. Escolhe seus caminhos e por ele segue.
  • CAUSA E EFEITO: o espírito graças ao seu livre-arbítrio age como deseja, mas, por justiça das leis divinas, experimenta inexoravelmente a ventura ou o sofrimento como resultado de suas ações.
  • O ESTUDO: o objetivo de todo espírita é sua evolução moral, intelectual e por consequência espiritual. E sabem que a evolução vem pela ilustração e prática do bem. Por isso os espíritas compreendem a necessidade do estudo. Os espíritos que já trabalharam arduamente em sua evolução moral e intelectual, os absolutamente evoluídos, conhecem tudo. E segundo o espiritismo é o futuro de todos nós, espíritos.
  • A CARIDADE: espíritas buscam a prática do bem e pregam a prática da caridade como essencial na conquista da evolução espiritual.
  • A SIMPLICIDADE: o espiritismo busca manter-se o mais próximo possível do cristianismo puro. Não tem dogmas, ritos, paramentos, dízimo, dias sagrados, cidades sagradas, templos especiais, orações padrão e outras práticas supersticiosas ou superficiais, Prende-se apenas a temas relevantes como o estudo, a reforma íntima e a busca incessante do bem.

O Espiritismo fornece o conhecimento da razão da vida com todas as suas peripécias e vicissitudes para o alcance das altas regiões próximas a Deus, para a aquisição das glórias imperecíveis do Universo Infinito.

A teoria espírita congrega, magnificamente as suas bases com suas finalidades desdobrando às vistas todos ilimitados horizontes de estudo, de progresso, de sabedoria, de amor e de crescentes felicidades.

A teoria espírita é, por isso, a mais alta significação da moral e da sabedoria que o espírito humano pode receber para a realização da sua alta aspiração; erguida sobre três indestrutíveis colunas – fé, esperança e caridade, é o guia dos povos no seu caminhar incessante para Deus.

O Espiritismo surgiu em pleno século XIX pelo trabalho de um intelectual ”Hippolyte Léon Denizard Rivail”, pedagogo francês, que frequentando algumas reuniões onde transcorria uma série de eventos extraordinários, supostamente provocados pela ação direta de espíritos, se dispôs a compreender e estudar a origem de tais manifestações inexplicáveis.

Em uma dessas reuniões ouviu de um médium que ele já fora um espírito em outra encarnação chamado Allan Kardec e que com esse nome, deveria reunir os muitos ensinamentos e conclusões do que estava estudando, numa doutrina que propagasse os ideais de Cristo e trouxesse alívio para o coração dos homens.

Foi assim que Hippolyte Rivail assumiu o nome de Allan Kardec para começar seu trabalho de síntese da doutrina espírita.

Ao chegar ao Brasil, na década de 1860, o espiritismo foi logo adotado pela classe intelectual da época. Em meados do século XX, o comportamento sóbrio, a prática da caridade e a adesão crescente de setores da intelectualidade nacional, a fé espírita germinou aqui mais do que em qualquer outro lugar, talvez porque tenha encontrado um terreno fértil para a grande parte de seus princípios. Uma mistura muito brasileira de crenças católicas populares e a adoração aos mortos e religiosidades indígenas e africanas ajudaram a alastrar o alcance da fé espírita.

E foi no Brasil que surgiu o seu maior médium, Francisco Cândido Xavier, “Chico Xavier”, que com saúde combalida desde sempre, encarnou como ninguém os ideais de comedimento, caridade, benevolência e austeridade pregados pelo espiritismo. Em 1928, com 18 anos, em busca de uma explicação para os fenômenos que o acompanhavam desde a infância, ele entra em contato com o espírito Emmanuel, o que lhe renderia o posto de “coautor” de cerca de 400 títulos, por ele psicografados sob inspiração dos espíritos.

Com Emmanuel, Chico Xavier realizou vários avanços da doutrina formulada por Kardec, alastrando a sabedoria espírita para outros campos, como as ciências sociais e a economia.

Além de Allan Kardec, Chico Xavier, Emmanuel, outras personalidades que tiveram ou tem, papel decisivo no estabelecimento e na difusão do Espiritismo, tais como André Luiz (através de Chico Xavier), Bezerra de Meneses, Divaldo Pereira Franco, José Herculano Pires, Caibar Schutel, Eurípedes Barsanulfo, Edgard Armond, José de Freitas Nobre, Conan Doyle, Hermínio de Miranda, Léon Denis, Vitor Hugo, Anália Franco, Antônio Batuíra, Irma de Castro (Meimei), Yvone do Amaral Pereira, Marlene Nobre, etc.

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